As coisas não passam pela nossa frente, pela nossa vida, macias e imperceptíveis . Muitas vezes, e normalmente, ir além delas machuca e, na hora, a gente não entende exatamente o porquê .
Virei essa mulher que ri e chora muito de tudo, porque vive até a última pulsação das coisas, porque sempre bebe até o último gole .
Tantas foram as vezes que eu superestimei tanto tudo, que eu achei que não dava mais, que já tinha vivido tudo o que era pra mim . Quanta bobagem .
Bobagem porque de todas as minhas tragédias de um dia, o máximo que me ficou foi a lição de que ser hiperbólica como só eu sei, pode, no máximo, me render um estilo, jamais um final . Nada acaba só porque pra mim sempre é um caso de vida ou morte .
Mas os meus exageros me fazem bem, me fazem escrever, me dividem com as pessoas que, por um motivo ou outro, lêem as babaquices que eu prolifero mundo à fora . Ter coragem de falar o que muitos pensam no quartinho escuro seguro da consciência me rendeu grandes amigos, me fez conhecer pessoas incríveis . É inexplicável .
Tanta coisa, tanta gente, tanto medo acumulado esperando a maturidade finalmente chegar e, quando ela finalmente chega, eu ainda me sinto imatura e quero o colo da minha mãe, o abraço da minha amiga, o beijo na testa do meu primo, o amor do cara .
E enquanto eu espero por tudo isso, por um mundo cheio de certezas onde acordar vai render uma gargalhada e nada mais vai valer uma tristeza, a vida vai passando . Sem perceber, eu vou passando junto com ela porque, felizmente, apesar de eu esperar a felicidade, eu nunca deixo de ser feliz . E nem vou .
Eu continuo sendo essa menina boba, que descobre todo dia que não sabe da missa a metade, mas que se joga, e se fode, e, no final, se diverte . O meu inferno astral acaba hoje, porque hoje começa a minha nova primavera . E eu olho pros lados procurando motivos pra uma felicidade de festa, de hoje, momentânea, mas percebo que as minha maiores razões de sorrisos estão bem aqui, comigo : do meu lado e dentro de mim .
A verdade é que a minha maioridade já começou e, apesar de tudo, não poderia haver sensação melhor .

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