domingo, 13 de fevereiro de 2011

Sobre a verdade


Descobri nos seus olhos rasos d'água que eu estava me afogando, com as mãos fingindo prece busquei um meio de me prender, segurava os cabelos tentando não ouvir, não acreditar, não enxergar que nos perdemos no começo da vida...Os dedos entrelaçados, as mãos unidas, suando, o nervo agitado...Abandono é a cor do abraço...Gosto desse cheiro de amparo, essa flor nos cabelos, esse rosto desenhado de fada perambulando bêbada na noite escura..Na noite escura...Os dias passam e nem mais fumaça preenche o vazio,nem mais líquidos destilados de venenos de cobras compreendem essa reforma..Esse corte de cabelos,essas pontas avermelhadas: o sangue voltou a escorrer e dessa vez não é o meu.
Descobri nos teus cílios um inseto gigantesco e suas mãos em prece pedindo pra morrer me lembra o estado que me encontrava quando perdi as chaves de casa...Você se lembra?Não..Suponho que não...É muita lembrança pra pouca gaveta no cérebro...O céu vem caindo devagar e depois de vagar pela memória me prendi no presente...Me prendi nos presentes que quero comprar pra mim...Nos ausentes braços pra me cobrir de beijos e calor...Mas dessa vez não eram os seus.
Descobri que dias nas gotas alagando meus olhos que a chuva me faz pensar,me faz querer me lavar,me limpar de toda angústia e toda mágoa que tenho de todos e de mim...Abro os braços pra que as lágrimas dos céus me confortem, me provem essa quase alegria que eu quase sinto todos os dias mas que me recuso a adoçar com sorrisos e balas de menta.Mas esse sabor não é o meu.
Descobri olhando no espelho hoje de manhã que  há rugas,há marcas e há a secura das minhas palavras em cada poro do meu rosto,há a  ânsia de sentir uma força maior em cada pedaço do meu corpo,há na intimidade de umas curtas entrâncias a certeza que nada vai parar a dor que corre dentro dos canudos verdes do meu braço,que o sangue nunca vai parar de correr pelas calçadas,pelos muros pelas veias...Esse espelho e esse rosto não é meu.
Descobri que na verdade brincar de poesia dói demais...A verdade é que.

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